Guia de Sobrevivência | Bienal do Livro de São Paulo 2016
- Letícia Kartalian
- 19 de ago. de 2016
- 10 min de leitura

Olá, tudo bem?
Estamos há uma semana do evento literário mais esperado do ano e já está na hora de preparar as malas para a 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, um dos lugares mais incríveis do mundo se você for um apaixonado por livros.
Minha primeira Bienal foi em 2014, fui como leitora, comprei meu ingresso, carreguei uma caixa cheia de marcadores do meu primeiro livro, O Diário Secreto de Melissa, fui aos poucos espantando a timidez e conversei com muita gente nas filas de autógrafos, com autores nacionais e até com quem já tinha ouvido falar do meu livro e me lembro de cada pequeno momento como se fosse ontem.
Antes da feira, posts em blogs literários de 2/4 anos antes se tornaram meus melhores amigos na hora de me preparar para o evento, onde os blogueiros contavam suas experiências boas e ruins e dando dicas do que fazer/não fazer.
Dois anos se passaram, e aqui estou eu me preparando para viver novamente um (esse ano, dois) dia inesquecível lançando meu novo livro, chamado Algum tipo de amor (estarei passeando no dia 27 e terei evento no dia 04, clique aqui para saber mais) e, nesse post, vou tentar passar um pouquinho do que pode fazer sua Bienal mais proveitosa.
Muitas das dicas servem para todos os públicos, mas algumas são voltadas para autores independentes, estando ou não em um estande, que ficarão ou não batendo perna conhecendo leitores e outros escritores.
Vem se preparar junto comigo!
Pegue sua credencial (ou compre seu ingresso antecipadamente pela internet)!
No site da Bienal, você, escritor independente, pode pedir a sua credencial de profissional do livro até o último dia da Bienal (clique aqui para garantir a sua). Com ela, você poderá entrar na feira gratuitamente durante todos os dias da feira e só precisará apresentar um livro seu no formato impresso como prova de que você é, mesmo, um escritor.
Não sei dizer se, para os autores autopublicados pela Amazon, o registro na Biblioteca Nacional garante a entrada gratuita (se alguém souber, por favor, poste nos comentários), mas vale entrar em contato com o pessoal da Bienal perguntando. ;)
Use roupas confortáveis.
Tênis e shorts/calça, de preferência.
A tentação de ir de vestido/saia - no caso das meninas - para tirar foto com autores e leitores é grande, mas se você for nos dias em que a feira costuma receber mais gente - sexta, sábado e domingo - pode ser bem desconfortável por causa do calor e também por não poder simplesmente sentar em qualquer espaço livre no chão (e, acredite, uma hora que você olhar pros lados, não encontrar um lugar pra sentar depois de hoooooras andando, você verá o chão como uma benção na sua vida).
Leve uma mochila (ou mala de rodinhas, se possível).
Leve isso à sério!
Agradeço mentalmente até hoje a pessoa santa que deu essa dica em um dos muitos vídeos e posts que assisti/li antes de ir para a minha primeira Bienal. E sim, eu levei uma mala pequena de rodinhas. MELHOR COISA DA VIDA.
A Bienal é, para mim, a única oportunidade - no momento - de conhecer ou reencontrar autores queridos. Por isso, além da caixa que levei contendo os marcadores do meu livro, levei alguns livros da estante para serem autografados e também pretendia comprar outros livros lá. Bolsas e ecobags não aguentariam o peso, além de acabar com o braço/ombro, mochila acabaria com as minhas costas antes mesmo que eu chegasse à rodoviária da minha cidade, por isso a mala de rodinha foi a melhor opção para mim.
E pretendo levá-la novamente esse ano.
E só tomar cuidado com os corredores lotados, com o pé das pessoas pelo caminho e mantê-la sempre por perto.
E não se acanhe. Vi outras pessoas com mala de rodinha durante a Bienal de 2014. :)
Se programe!
Acredite, quando você passar pela bilheteria, e realmente entrar no evento, você provavelmente irá se assustar com a imensidão da coisa. Se você for em um dos dias de fim de semana, como eu fui, vai perceber que terá muitos estandes bonitos chamando a sua atenção e pouquíssimo espaço para se locomover, principalmente entre os estandes das grandes editoras e livrarias (a Bienal prometeu corredores mais largos esse ano, mas acredito que a loucura nos finais de semana continuará a mesma).
As distrações estarão por todos os lados, por isso é legal se você pegar um mapa da Bienal (eu tinha um no aplicativo da Bienal para celular, mas eles disponibilizaram um bem maior impresso na entrada) e ter marcado nele ou num papel os estandes que você quer visitar, os autores que quer conhecer (e os horários em que eles estarão por lá) e também os livros que quer comprar.
Eu só pude ir em um dia de feira em 2014, por isso eu não consegui fazer tudo o que eu queria por lá, mas criar uma programação foi mega importante porque, enquanto eu estava na fila para conhecer um autor, minha mãe pode ir pro estande do lado comprar outro livro pra mim e ainda perguntar se a autora estava por lá. Se for à Bienal sozinho, como devo ir em um dos dias da feira, a programação se torna absolutamente necessária.
E já pode anotar na agenda: estarei na Bienal no dia 04 de setembro, numa sessão de autógrafos com outros autores no estande da Amazon (D049), das 17 às 18 horas. ;)
Faça lista de compras/desejados e compare preços.
Engana-se aquele que pensa que os preços serão mais convidativos na Bienal.
Nem todos os livros têm descontos incríveis. Na verdade, a maioria não têm e você encontra preços bem mais acessíveis comprando pela internet.
Alguns estandes têm descontos progressivos e, principalmente se for uma daquelas editoras que colocam os valor do livro lá em cima, mesmo nas lojas online, muitas vezes dá pra pagar mais barato comprando mais de um livro no estande, até mesmo se for lançamento.
Algumas editoras colocam livros a R$5, R$9, R$10, R$15, então vale a pena dar uma olhada nos estandes pra essas promoções.
Mas antes de tudo, pesquise na internet e leve os preços anotados. Não saia comprando tudo o que vê- pela frente. Pode ser dois, três reais de diferença, mas juntando de todos os livros que você for comprar...
Dizem que no segundo final de semana as promoções são melhores.
Chegue cedo!
Em 2014, cheguei na Bienal perto das 13 horas e lembro que fui direto para o estande da Universo dos Livros, pro lançamento da A. C. Meyer. Fiquei mais de duas horas na fila, algo que eu realmente não havia esperado e isso fez com que eu acabasse não conseguindo ver outros autores por causa do horário de ir embora.
Chegue mais cedo, conheça o local antes de a loucura dos eventos começarem.
Alem disso, se você não mora em São Paulo, no site da Bienal você encontra o mapa do local e dicas e links úteis sobre transporte público, ônibus gratuito para levar do metrô ao Pavilhão, estimativa de custo de táxi, e informações sobre o estacionamento do Anhembi e alternativos, é só clicar aqui.
Espere filas, filas e mais filas.
Dizem que durante a semana, a Bienal é bem tranquila, dá realmente para passear, conhecer, caminhar por corredores quase vazios e sentar tranquilamente na praça de alimentação.
Porém, durante os finais de semana, que não só é o período em que todos os trabalhadores podem comparecer ao evento, como também é quando os autores internacionais têm eventos na feira, espere fila para tudo.
Fila para entrar no estande. Fila para pegar um livro dentro do estande. Fila para pagar. Fila para conhecer um autor nacional. Fila para chegar até a praça de alimentação. Fila para fazer o pedido da comida. Fila para pagar a comida.
Algumas filas não tem como evitar, então bora respeitar o coleguinha que está ali pelo mesmo motivo que você (o amor aos livros), não furem fila, respeitem o pessoal que está trabalhando na feira e dentro dos estandes e ouçam o que eles dizem, e paciência.
A fila do cartão de crédito na hora de pagar pelos livros pode ser maior, então se você tiver levado dinheiro, pode economizar tempo pagando em cash.
Mande a timidez embora.
Eu sou MUITO tímida. Daquelas que trava e pensa cinquenta mil vezes antes de abrir a boca.
Não vou dizer que aconteceu uma mágica e que a timidez foi embora assim que pisei na Bienal, mas depois de falar com o primeiro grupo de pessoas, a coisa fluiu mais naturalmente e o contato com as outras pessoas simplesmente foi acontecendo. Como se eu não fosse tão tímida assim.
Por isso, se você por acaso me ver pelos corredores, me parem e falem comigo, ok?
Porque eu farei o mesmo se vir você.
Não esqueça a câmera fotográfica!
Na era dos celulares com câmera, eu ainda sou aquela que prefere tirar fotos com uma máquina - mesmo sendo compacta - até mesmo porque a bateria do celular pode morrer antes que o seu dia na feira termine.
De qualquer maneira, leve o seu equipamento (não esqueça de carregá-lo, claro), e se estiver sozinho, faça amizade com o pessoal na fila, ou peça para alguém da editora tirar a foto pra você se não quiser a selfie.
Leve um caderninho para pegar autógrafos dos coleguinhas escritores
É um fato: nem sempre você vai ter dinheiro para comprar todos os livros da listinha de desejados. :(
Além disso, muuuuuitos autores autopublicados na Amazon, como eu, estarão pela feira e, se você encontrá-los, pode ter uma foto e um autógrafo de recordação.
Autores, sejam gentis com esses leitores.
Você pode não saber, mas eles podem comprar seu livro em outro oportunidade, ter lido em e-book comprado na Amazon, pedido emprestado ou mesmo nunca ter lido nada seu e, se a primeira impressão dele de você for ruim, ele pode acabar nem se tornando seu leitor.
Assim como água, marcador não se nega pra ninguém! ;)
Eu sei que - não só para você, mas para a editora que acreditou e apostou no seu trabalho, ou para o pessoal do estande que alugou espaço pra você enquanto autor independente - as vendas são importantes, mas a Bienal é um momento único, vamos abraçar os colegas autores, conhecer leitores, compartilhar amor pelos livros e ser feliz, ok?

Leve marcadores do seu livro!
Na minha primeira Bienal, levei marcadores de O Diário Secreto de Melissa, mas confesso que não sabia bem como abordar as pessoas e entregar-los para as pessoas. Era a timidez falando mais alto.
Nunca vou me esquecer de como, na fila para pegar autógrafo de Louca por você, da A. C. Meyer, no estande da Universo dos Livros, o papo surgiu por causa da edição independente do livro que eu carregava. Nem como, ao autografar o primeiro marcador do dia para a garota ao meu lado na fila, outras pessoas surgiram querendo marcador também.
Entre possíveis leitores, blogueiros que eu conhecia e autores que eu ia conhecendo, mais da metade dos meus marcadores se foram naquele dia.
Em 2014, andei com um bolinho de marcadores na mão, depois de ter que ficar abrindo e fechando a mala de cinco em cinco minutos pra pegar mais. Esse ano, além do estoque na mala, andarei com uma ecobag com uma parte dos marcadores de Melissa e Algum tipo de amor e outros brindes que estão sendo produzidos para os meus dias na feira.
Se é o seu primeiro ano na Bienal, ou iniciando no meio literário como autor, distribuir marcador é a forma mais fácil e barata de divulgar o seu livro na feira.
Esqueça wi-fi e 3G.
Não sei bem durante a semana, mas aos finais de semana é bem provável que você não consiga acesso dentro da feira, porque o sinal lá dentro é bem ruim.
São muitas pessoas tentando acessas ao mesmo tempo e você pode não conseguir usar o celular lá dentro.
Cartão de crédito/débito E DINHEIRO, porque sim!
Como dito acima, o sinal lá dentro é bem ruim e pode ser que a máquina de cartão não esteja funcionando. Garanta que você vai levar pra casa aquele livro tão desejado com aquele desconto progressivo carregando uma reserva em espécie para o caso de a maquininha estiver sem sinal.
Conheça blogueiros!
Eu só pude conhecer uma das blogueiras que apoiavam o meu trabalho em 2014, a linda da Ceile, do Este já li, e foi totalmente por acaso.
É bem provável que não dê para conversar durante os finais de semana, mas se você for durante a semana, talvez consiga bater um papo legal com o pessoal de blog que encontrar por lá.
De qualquer forma, apresentar marcador do seu livro, de repente disponibilizar alguns a mais para sorteio pós-Bienal pode ser uma boa forma de divulgar o seu livro.
Se você tem blogs parceiros, tente marcar de encontra-los na Bienal, prepare alguns brindes.
Fica a dica que no dia 27 terá o Encontro de Booktubers para inscritos, link do evento no Facebook.
Marque pontos de encontros.
Se você não estiver em um estande, autografando seus livros, mas mesmo assim quiser encontrar seus leitores dentro da feira, marque um ponto de encontro.
Um horário do lançamento de um colega escritor no estande da editora Y; ou depois da hora do almoço na praça de alimentação. E cumpra com isso.
É bem provável que, caso deixe para se encontrarem ao acaso, e ficarem de mandar mensagem dentro da Bienal, você acabe desencontrando esses leitores por falta de sinal pra mandar a tal mensagem.
E, sim, aconteceu isso comigo na Bienal de 2014. :(
Leve comida de casa.
Vou te contar duas coisas sobre a comida na Bienal: ruim e cara.
Pense no seguinte: 15 minutos na fila, 30 reais que você poderia gastar adquirindo o mais novo lançamento do seu autor favorito (ou mais de um livro da lista de desejados se conseguir uma promoção legal), problemas na hora de passar o cartão e mais 10 minutos esperando ter sinal, só pra sentar no chão e comer um sanduíche pequeno, seco e com recheio ruim e uma batata frita encharcada de óleo. O que salvou foi mesmo o refrigerante, porque não tem erro com Coca-Cola.
O meu maior arrependimento foi ter ido na da minha mãe de "a gente compra lá" e não ter ouvido os sábios blogueiros que avisaram sobre preço e qualidade da comida da Bienal. E toda vez que eu lembro disso, nem penso no fato de ter comido pra continuar com fome e sim no fato de que touxe um livro a menos pra casa por causa disso.
Por isso, decore o mantra: leve lanche de casa.
Uma bolacha - sou do litoral de SP e o certo é bolacha. Ok? Ok. - pra comer quando der fominha, um sanduíche com algum recheio que dê pra ficar o dia todo fora da geladeira, um suco e fruta que você compre no mercado perto de casa vai sair bem mais barato que qualquer coisinha na Bienal, além de ser algo que vai te sustentar durante a feira sem pesar no estômago.
Melhor dica, sério.
E não fiquem sem comer, gente. Ninguém vai pra Bienal pra passar mal, então lembre de parar entre um estande e outro pra comer alguma coisa, nem que seja uma barrinha de cereal.
A Bienal prometeu melhorias na comida esse ano, mas se eu fosse você, iria prevenido.
Leve água.
A água também é cara dentro da feira. Existem pontos com bebedouros, mas eu só vi um quando fui ao banheiro, já no fim do dia.
Água é essencial, fique bem hidratado pra não passar mal - ainda mais se você for nos finais de semana, com aquele monte de gente que estará lá para conhecer os autores internacionais.
E foi isso!
Espero que vocês aproveitem tanto a Bienal como eu pretendo aproveitar os meus dois dias na feira, espero ter ajudado e vejo vocês lá!
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